Imagen de portada

Práticas de si de cuidadores familiares na atenção domiciliar

Bruna Ferreira Ribeiro, Stefanie Griebeler Oliveira, Fernanda Sant'Ana Tristão, José Ricardo Guimarães dos Santos-Júnior, Taís Alves Farias

Resumen


Introdução: Atualmente há expansão de serviços de atenção domiciliar, sendo necessário que algum familiar seja o cuidador. Deste modo, é relevante compreender as práticas de si dos cuidadores familiares no contexto da atenção domiciliar. Materiais e Métodos: Pesquisa qualitativa, inserida na vertente pós-estruturalista. Participaram da pesquisa 18 cuidadores familiares de pacientes com doenças crônicas ou terminais vinculados ao serviço de atenção domiciliar de um hospital do sul do Brasil. A produção de informações ocorreu por meio de entrevista narrativa, realizada entre julho de 2015 e março de 2016. Os participantes foram entrevistados em três encontros, com periodicidade semanal. A análise se constituiu de questões elaboradas diante das informações produzidas articuladas com as teorizações foucaultianas, sobre cuidado de si, relações de poder e discurso. Resultados e Discussão: Duas categorias foram elaboradas: Constituição do sujeito cuidador: quais os discursos que o atravessam? e práticas de si como caminho de ressignificação ao cuidado. As práticas de si foram configuradas como modo de acesso a verdade, se caracterizando como fio condutor do cuidado de si, levando os cuidadores, nas suas mais diversas formas de ser, a se subjetivarem e se reconstituírem, através de si e do outro. Conclusões: Ser cuidador familiar é circundado por diversos discursos que atravessam seu modo de cuidar e que as práticas de si foram configuradas como modo de acesso a verdade.

Como citar este artigo: Ribeiro BF, Oliveira SG, Tristão FSA, Santos-Júnior JRG, Farias TA. Práticas de si de cuidadores familiares na atenção domiciliar. Rev Cuid. 2017; 8(3): 1809-25. http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v8i3.429


Palabras clave


Acontecimentos que Mudam a Vida; Cuidadores; Serviços de Assistência Domiciliar; Enfermagem.

Referencias


Ministério da Saúde, Brasil. Portaria nº 825, de 25 de abril de 2016. Redefine a atenção domiciliar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e atualiza as equipes habilitadas. Diário Oficial da União 25 abr 2016; Seção 1. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0825_25_04_2016.html

Oliveira SG, Kruse MHL. Melhor em Casa: dispositivo de segurança. Texto Contexto Enferm. 2017; 26(1): 1-9. https://doi.org/10.1590/0104-07072017002660015

Neto AVO, Dias MB. Atenção Domiciliar no Sistema Único de Saúde (SUS): o que representou o Programa Melhor em Casa? Divulg Saude Debate. 2014; (51): 58-71.

Oliveira SG, Quintana AM, Denardin-Budó ML, Kruse MHL, Garcia R, Wünsch S, et al. Representações sociais do cuidado de doentes terminais no domicílio: o olhar do cuidador familiar. Aquichan. 2016; 16(3): 359-69. https://doi.org/10.5294/aqui.2016.16.3.7

Dadah DF, Carvalho AMP. Papéis ocupacionais, benefícios, ônus e modos de enfrentamento de problemas: um estudo descritivo sobre cuidadoras de idosos dependentes no contexto da família. Cad Ter Ocup UFS Car. 2014; 22(3): 463-72. https://doi.org/10.4322/cto.2014.067

Almico T, Faro A. Enfrentamento de cuidadores de crianças com câncer em processo de quimioterapia. Psic Saude Doenças. 2014; 15(3): 723-37. https://doi.org/10.15309/14psd150313

Pinto FNFR, Barham EJ. Habilidades sociais e estratégias de enfrentamento de estresse: relação com indicadores de bem-estar psicológico em cuidadores de idosos de alta dependência. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2014; 17(3): 525-39. https://doi.org/10.1590/1809-9823.2014.13043

Hernández NE, Moreno CM, Barragán JA. Necesidades de cuidado de la díada cuidador-persona: expectativa de cambio en intervenciones de enfermería. Rev Cuid. 2014; 5(2): 748-56. http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v5i2.87

Foucault M. O sujeito e o poder in: Foucault M. Ditos e escritos, volume IX: genealogia da ética, subjetividade e sexualidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2014. p.118-140.

Candiotto C. Subjetividade e verdade no último Foucault. Trans/Form/Ação. 2008; 31(1): 87-103. https://doi.org/10.1590/S0101-31732008000100005

Muchail ST, Fonseca MA. “Editar” Foucault. In: Muchail ST, editora. Foucault, mestre do cuidado: textos sobre A Hermenêutica do Sujeito. São Paulo: Loyola. 2011. p. 9-21.

Foucault M. O cuidado com a verdade. In: Motta MB, editor. Ditos & Escritos V: Ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2010. p. 240-51.

Meyer DE, Paraíso MA. Metodologias de pesquisas pós-críticas ou sobre como fazemos nossas investigações. In: Meyer DE, Paraíso MA, editoras. Metodologias de pesquisas pós-críticas em educação. Belo Horizonte: Mazza Edições. 2012. p.15-22.

Oliveira SG, Machado CRS, Osielski TPO, Oliveira ADL, Fripp JC, Arrieira ICO, et al. Estratégias de abordagem ao cuidador familiar: promovendo o cuidado de si. Ext Foco. 2017; 1(13):135-48. https://doi.org/10.5380/ef.v1i13.51685

Turato ER. Tratado da metodologia da pesquisa clínico-qualitativa: construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. 3ª ed. Petropólis: Vozes. 2008.

Ministério da Saúde, Brasil. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União 12 dez 2012; Seção I. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0466_12_12_2012.html

Muylaert CJ, Sarubbi-Júnior V, Gallo PR, Neto MLR, Rei AOA. Entrevistas narrativas: um importante recurso em pesquisa qualitativa. Rev Esc Enferm USP. 2014; 48(2): 184-9. https://doi.org/10.1590/S0080-623420140000800027

Jovchelovich S, Bauer MW. Entrevista Narrativa. In: Bauer MW, Gaskell G, editoras. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes. 2002. p. 90-113.

Paraíso MA. Metodologia de pesquisas pós-críticas em educação e currículo: trajetórias, pressupostos, procedimentos e estratégias analíticas. In: Meyer DE, Paraíso MA, editoras. Metodologias de pesquisas pós-críticas em educação. Belo Horizonte: Mazza Edições. 2012. p. 23-45.

Foucault M. A arqueologia do saber. 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2013.

Oliveira SG, Quintana AM, Denardin-Budó ML, Kruse MHL, Garcia RP, Simon BS. O enfrentamento da terminalidade pelos cuidadores familiares durante a internação domiciliar. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste. 2013; 14(3): 460-9. http://dx.doi.org/10.15253/rev%20rene.v14i3.3413

Foucault M. A Hermenêutica do Sujeito: curso dado no Collège de France (1981-1982). 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes. 2010.

Foucault M. Técnicas de si. In: Motta MB, editor. Ditos & Escritos IX: Genealogia da ética, subjetividade e sexualidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 2014. p. 264-96.

Puerto HM. Soporte social percibido en cuidadores familiares de personas en tratamiento contra el cáncer. Rev Cuid. 2017; 8(1): 1407-22. https://doi.org/10.15649/cuidarte.v8i1.345

Oliveira SG, Quintana AM, Denardin-Budó ML, Kruse MHL, Beuter M. Internação domiciliar e internação hospitalar: semelhanças e diferenças no olhar do cuidador familiar. Texto Contexto Enferm. 2012; 21(13): 591-9. https://doi.org/10.1590/S0104-07072012000300014




DOI: http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v8i3.429

Métricas de artículo

Cargando métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM




Copyright (c) 2017 Revista CUIDARTE

Licencia de Creative Commons
Este obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial 4.0 Internacional.